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IGREJA-MATRIZ DE FIÃES

CRONOLOGIA

1079 - Primeira referência documental à Igreja Paroquial de Fiães, pertencente ao Mosteiro de Pedroso (v. IPA.00005339);

1547 - a Igreja pertence ao Mosteiro do Recião; 1590 - depende do Convento de Santa Cruz de Lamego (v. IPA.00003737), para onde se haviam mudado os Frades Lóios;

séc. 17 - feitura do sacrário;

1758 - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco Manuel Dias Coelho Ferraz, surge a antiga igreja referida;

1875 - a construção do novo templo foi posta a concurso;

1880, Maio - início dos trabalhos;

1884, Fevereiro - bênção da nova igreja;

séc. 20 - revestimento da fachada principal com placas cerâmicas e pintura dos painéis de azulejo, ocupando a região acima do portal um largo rótulo executado por Lourenço Limas, da Fábrica Aleluia de Aveiro;

1922 - data nos silhares de azulejos da capela-mor, indiciando a data da sua colocação;

1981 - colocação dos revestimentos exteriores em azulejo e nos muros do adro; calcetamento do pavimento do adro;

1989 - feitura dos novos bancos; conclusão da primeira fase de construção do centro paroquial; 1990 - feitura da garagem na residência paroquial; 1992 - aquisição de um órgão;

1994 - finalizam as obras da segunda fase de construção do centro paroquial;

1994 - 1999 - pintura do centro paroquial;

1997 - construção dos anexos da igreja;

1998 - colocação de armários e cadeira nos anexos da igreja;

2000 - inauguração da Capela do Santíssimo.

Planta rectangular composta por nave, capela-mor e anexos adossados, de volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. Fachadas revestidas a pastilha branca, excepto na fachada principal e torre sineira, situada sobre esta, com placas cerâmicas brancas, percorridas por socos de cantaria, flanqueadas por cunhais apilastrados firmados por pináculos de bola ou de pera, e rematadas em cornijas, sendo em frisos e cornijas nos anexos.

 

Fachada principal virada a nordeste, rematada por frontão triangular com o tímpano a integrar painel de azulejo com "ferronerrie" e motivos fitomórficos que enquadram o mostrador do relógio, circular, tendo por fundo platibanda plena, sobrepujada por torre sineira central com cobertura em coruchéu piramidal octogonal e com quatro ventanas de volta perfeita, rematadas por entablamentos e friso com pináculos piramidais.

A fachada está dividida em dois registos por friso de cantaria, o inferior rasgado por portal acial de volta perfeita com molduras várias, assentes em impostas salientes e fecho volutado, ladeado por dois amplos janelões retilíneos; no segundo registo, dois janelões retilíneos rematados em cornijas centram painel de azulejo azul e branco, com moldura recortada fitomórfica, representando Nossa Senhora da Assunção. Fachada lateral esquerda com porta travessa, inserida em pano saliente, rematado em empena angular com cruz latina no vértice, de verga reta e remate em cornija, encimado por óculo lobulado; está ladeado por quatro janelas retilíneas.

 

No corpo da capela-mor com duas janelas retilíneas, o corpo adossado, rematado em frontão triangular com cruz no vértice e tendo respiradouros no soco. A fachada lateral direita é semelhante.

 

Fachada posterior rematada em empena com cruz no vértice, rasgada por duas pequenas frestas sobrepostas, ladeada pelos corpos anexos, recuados e rasgados por janelas retilíneas. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por silhares de azulejo de padrão azul e branco, com coberturas em falsas abóbadas de berço, rebocadas e pintadas de branco, pontuadas por losangos de estuque ornados por florões, assente sem frisos e cornijas, as da nave em cantaria e esta reforçada por tirantes metálicos.

 

Pavimento da nave em soalho, onde se verifica a marcação do antigo presbitério, em U invertido. As janelas, portas e capelas estão encimadas por sanefas de talha pintada de branco e dourado, com acantos vazados e lambrequins. Sobre um endo-nártex marcado pela estrutura da antiga torre sineira, o coro-alto amplo e com guarda de madeira torneada, tendo acesso pelo estreito nártex e de onde evolui escadas de acesso aos sinos.

 

Fronteiro às escadas do coro, o batistério, protegido por teia de madeira, com pavimento em ladrilho e tecto plano, contendo a pia batismal, de mármore, composta por plataforma cilíndrica e tala hemisférica.

 

No topo, grande painel de azulejo a azul e branco, representando o "Baptismo de Cristo".

O acesso ao templo e as portas travessas estão protegidas por guarda-vento de madeira e vidro e estão ladeadas por pias de água benta, embutidas no muro. Confrontantes, surgem três capelas laterais, dedicadas a Nossa Senhora das Dores, Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora do Rosário (Evangelho) e Santa Teresinha, Nossa Senhora das Graças e ao Crucificado (Epístola).

 

Ainda confrontantes, os púlpitos quadrangulares, com bacias em cantaria, assentes em mísulas, e com guarda plena, de talha pintada de branco e dourado, formando apainelados fitomórficos; tem acesso por escadas em cantaria. O arco triunfal é amplo, de volta perfeita e assente em pilastras toscanas, ladeado por retábulos colaterais dispostos em ângulo, dedicados a São José (Evangelho) e Nossa Senhora de Fátima (Epístola).

Capela-mor marcada por supedâneo, onde se ergue a mesa de altar e o ambão, ambos de talha pintada de branco, azul e dourado, com colunas de inspiração coríntia. Na parede testeira, o retábulo-mor de talha pintada de branco e dourado, com corpo de perfil contracurvo e três eixos definidos por seis colunas assentes em duas ordens de plintos paralelepipédicos, ornados por florões e urnas, duas delas encimadas por urnas. Ao centro, ampla tribuna de volta perfeita, rematada em frontão triangular com resplendor e acantos vazados, com painel a representar a "Última Ceia".

Os eixos laterais são marcados por nichos de volta perfeita, encimados por sanefas e tendo decoração inferior composta por acantos entrelaçados; na base dos nichos, portas retilíneas de acesso à tribuna. A estrutura remata, sobre os eixos laterais, em entablamento e painéis e anjos de vulto, de feitura posterior.

Altar paralelepipédico, encimado por sacrário embutido, coberto por cúpula e "Agnus Dei"; tem porta moderna, ornada por cruz latina. Sacristia com pavimento em soalho, mobiliário de madeira e lavabo de cantaria, com espaldar emoldurado, com ângulos truncados e curvos e remate vegetalista, com torneira que verte para taça semicircular e de bordo boleado.

Fiães, Agosto 2020. 
Informação retirada do Arquivo Distrital de Aveiro.

SOBRE FIÃES